Le véritable voyage de découverte ne consiste pas à chercher de nouveaux paysages, mais à avoir de nouveaux yeux. Marcel Proust - A La Recherche du Temps Perdu















segunda-feira, 16 de outubro de 2017

O Porto através de uma Panorâmica de c.1870 6


ov1fig. 1 - Autor não identificado  Panorâmica do Porto c. 1870 (originais em vidro do Museu Nacional de Soares dos Reis Porto) cópia cedida por gentileza do arquitecto Manuel Magalhães.

Capítulo 4 – Quartel de Santo Ovídio e Praça da Regeneração. Casa e Quinta de Santo Ovídio. Casa e Quinta das Águas Férreas.
O Quartel de S.to Ovídio e a Praça da Regeneração (8).

ov2fig. 2 – Pormenor da Panorâmica c.1870.

Se o Telégrafo (6) e a Igreja da Lapa (7) são bem visíveis no perfil (skyline) da cidade da Panorâmica, o Quartel (8) e a Quinta (9) de Santo Ovídio apenas aparecem na fotografia de um modo parcial situados no Campo da Regeneração que apenas se advinha.

O Quartel do Segundo Regimento de Infantaria, Quartel de Santo Ovídio está situado a norte entre os então chamados Campo da Regeneração (hoje praça da República) e Largo da Lapa, tendo a poente a Rua da Rainha e a estrada de Braga (depois rua da Lapa e rua Antero de Quental) e a rua da Boavista e a nascente a Rua do Almada (depois a rua da Regeneração).

ov3fig. 3 - Pormenor da Planta da Cidade do Porto de Perry Vidal.1865.

As referências ao Quartel de Santo Ovídio no Campo da Regeneração no tempo da Panorâmica, salientam o número de soldados que então podia albergar. Deve-se isso a que, com esses números, o quartel alojaria o maior contingente militar do país.

Em 1864 escreve Francisco Ferreira no Elucidário:

Quarteis militares. No campo da Regeneração existe o quartel militar com sua frente, ao poente: é pertencente ao historico regimento n.°18; a sua grandeza e boa construcção são muito para notar: accommodava cêrca de 3.000 homens, quando aos soldados as tarimbas lhes serviam de camas; mas hoje, que estas são de ferro e com distancias d'um metro d'umas às outras, só pode conter 1:500 praças. [1]

E, publicado no mesmo ano, no Guia Historico do Viajante no Porto de Francisco Gomes da Fonseca também se pode ler:

Quartel de Santo Ovidio – Este edifício de vastas dimensões e bem ordenada estrutura, é d’aquelles com que o Porto se engrandece, e que falla do célebre corregedor Almada, de quem é obra. Este magnifico quartel capaz de alojar 2.000 homens, tem as cosinhas isoladas do corpo principal do edifício, obstando assim, em caso de incêndio, a que o fogo se communique ao resto. Está situado no espaçoso campo da Regeneração, que ladeado de árvores e frades de pedra, se espraia diante da sua porta principal. Ali se formam as paradas e exercícios militares. Está actualmente ocupado pelo regimento de infanteria n.º18. [2]

Uma imagem do Quartel de Santo Ovídio nos meados do século XIX.

ov4fig. 4 – Quartel de Santo Ovidio no Porto, Lith. da Impr.a N.al.. c.1850.

Pinho Leal alguns anos mais tarde repete a mesma descrição, e acrescenta a sua origem e localização.

Quartel de Santo Ouvidio, no campo do mesmo nome (hoje campo da Regeneração.)

— Foi sempre o quartel do 2.º regimento do Porto (n.º18) que ainda alli se conserva.

É um vasto edifício, com capacidade para aquartelar 2:500 homens, quando as camas eram apenas uma estreita enxerga, sobre tarimbas geraes. Hoje, porém, que cada soldado tem uma cama de ferro, desviada um metro da immediata, apenas pode dar quartel a 1:300 ou 1:400 praças.

Foi construído em 1797 pelo famoso corregedor, Francisco d'Almada e Mendonça, no reinado de D. Maria I, sendo regente seu filho D. João VI.

Em frente do quartel (ao S.) é o vasto campo de Santo Ovidio, onde os corpos da guarnição fazem as suas paradas...e as suas revoltas. [3]

Breve história do Quartel e da sua localização

Em 1790, no conjunto do planeamento e edificação promovidos pela Junta das Obras Públicas (criada em 1763), e sob a inspecção de Francisco de Almada e Mendonça (1757-1804), foi mandado construir um novo quartel na praça de Santo Ovidio segundo um projecto, e plano do tenente-coronel engenheiro Reinaldo Oudinot [1744-1807] que se acha na dita cidade, e a sua execução atribuída a Theodoro de Souza Maldonado [1759-1799] que serve de arquitecto das Obras Públicas. [4]

Sabe-se que pela morte de Maldonado foi José Francisco de Paiva (1744-1824) que, nomeado Architecto do Real Quartel de Santo Ovídio, acompanhou a construção do Quartel até à sua conclusão por volta de 1805 ou 1806.

Oudinot projectou uma planta trapezoidal, com a fachada principal virada a sul, organizada em três corpos, os laterais de dois pisos, com uma fenestração regular de 11 janelas, e rematados por uma cornija corrida.

O corpo central, avançado ao plano da fachada, com três pisos onde se abriam 5 janelas de peitoril, e encimado por o escudo real.

O rés-do-chão deste corpo central tinha ao centro a porta de armas.

ov5fig. 5 - Reynaldo Oudinot (1744-1807), Planta do projecto de Quarteis para o 1º Regimento da Cidade do Porto. AHMP.


ov6fig. 6 – Reinaldo Oudinot, Elevação da parte da Praça de S. Ovidio, Quartel de Santo Ovídio, Alçado frontal Porto, 1790. In Luís Berrance, Evolução do desenho das Fachadas das Habitações Correntes Almadinas 1774-1844. Arquivo Histórico Municipal do Porto 1993.

ov7fig. 7 - Reinaldo Oudinot, Elevação lateral, Quartel de Santo Ovídio, Alçado frontal Porto, 1790. In Luís Berrance, Evolução do desenho das Fachadas das Habitações Correntes Almadinas 1774-1844. Arquivo Histórico Municipal do Porto 1993.

Joaquim Cardoso Villanova na estampa do álbum de 1833 representa a fachada do Quartel com uma mansarda acrescentada aos corpos laterais e uma cobertura em telhado no corpo principal.

ov8fig. 8 - Joaquim Cardoso Villanova (1792-1850), Q.el de Infanteria 18. Estampa 93 do Álbum Edifícios do Porto em 1833, Biblioteca Pública Municipal do Porto, 1987.

Só nos finais do século XIX ao Quartel de S. Ovídio foi acrescentado um pórtico, marcando e dignificando a entrada principal sobre o qual se construiu uma varanda com balaustres, permitindo uma ampla visão sobre a praça e sobre os eventos militares e civis que nela se realizavam.

ov9fig. 9 – O Quartel de Infanteria 18. Postal do início do século XX.

ov10fig. 10 – Foto actual da entrada do Quartel General.

Apontamentos sobre a praça de S. Ovídio

No Arquivo Histórico existe uma curiosa planta, provavelmente dos meados do século XVIII, em que está traçada uma ampla praça quadrada em frente da igreja de N.ª Sr.ª da Lapa que articularia a rua do Almada e a rua de S.to Ovídio (Mártires da Liberdade) com as Estradas para Guimarães (rua de S. Brás) e para Braga (rua de Antero de Quental). Compare-se com outra planta em que a praça está já organizada com uma fonte central e ajardinada.

ov12afig. 11 - Planta da nova praça ao cimo da Rua de Santo Ovídio, com o traçado projetado para novas ruas e para uma alameda junto à Capela da Lapa e Estrada de Braga. 17??. À direita uma planta da Junta das Obras Publicas, Santo Ovídio até o Senhor do Olho Vivo 17??. AHMP.

Legenda na planta à esquerda

A Praça nova acima do Laranjal B Rua nova q vai dar a dita Praça C Rua q vai dar a a N. Srª da Lapa após o Laranjal D Rua de S.to Ovidio que vai dar a N. Sr.ª da Lapa E Os PP Agostinhos descalços F Entrada da Quinta do Contador da Fa.da Real G Campo entre as cazas e lhe fica frente  H Capela nova de N. S. da Lapa das Confissões I Capela velha de N.ª Sr.ª K Estrada de Braga L Estrada do Monte dos Lavradores M Estrada para Guimarães N Cazas e quintal do Contador da F. real O Caminho p.ª Cedofeita P Monte Q Monte da Lapa R Capella do Sr.º do Padrão S Cazas da Irm.de da Lapa T Cazas de N. Sr.ª da Lapa U Cazas de João Coelho X Forma em q deve ficar a Alameda da Lapa Y Cazas de João Coelho Z Caza de Antonio de Pinho aa caminho de Germalde

Esta primeira ideia da praça junto da igreja de N. Srª da Lapa, foi abandonada para se abrir a Praça de Santo Ovídio, pela regularização do Campo de Santo Ovídio, designação proveniente do Hospício de Santo Ovídio que lhe ficava nas imediações. Seria o remate norte da Rua do Almada traçada em 1761, um gesto de expansão urbana e de abertura da cidade a norte, promovido por João de Almada e Melo (1703-1786).

Na planta de Champalimaud de Nussane de 1788, podemos observar um primeiro desenho desta praça.

ov13fig. 12 – D. Jozé Champalimaud de Nussane 1788, Planta da Rua e Praça S. Ovidio, que mostra pela letra A. a extensão da estrada eu se fes a roda d’ella, a letra B. os Projectos, a letra C. os Pilares que fechão a Praça, e a letra D. a Rua Projectada p.a N. Sn.ra da Lapa. 1788. AHMP.

Nesta ideia inicial tratava-se, ainda, de desenhar, com uma inspiração neoclássica, todas fachadas envolventes da Praça, como se pode ver pelas diversas propostas para a fachada sul, que apresentamos as de Champalimaud de Nussane, António Pinto de Miranda e Ignácio Barros Lima. Para o lado poente e nascente, não terá sido elaborado o desenho de conjunto das fachadas, segundo a poética neoclássica de embelezamento da cidade, já que estavam ocupados pelas duas grandes quintas existentes na época.

ov14fig. 13 - Tenente Coronel D. Joze (Paul Joseph) Champalimaud de Nussane (1730-1799), Prospecto Geral das Cazas projectadas, no lado do Sul, da Praça de S.to Ovidio, por Ordem do Ill.ma Junta das obras Publicas, sendo Prezidente d’ella o Ill.mo S.orM.el Fran.co da Silva Veiga Magro de Moura Chanceler da Caza e Relação do Porto. Em Julho de 1794

ov15fig. 14 - Antonio Pinto de Miranda Prespecto ou Planta geral para o Lado do Sul da Praça de S. Ouvidio que faz faces aos Quartéis 1795. AHMP.

ov16fig. 15 - Luiz Ignacio de Barros Lima (1764-183?), Esta Planta Mandou Fazer o Ill.mo e Ex.mo S.or C. Pedro de Mello Breyner [1751-1830], Para servir de Geral ao lado oposto ao Quartel de S.to Ovidio, e que esta fosse feita com atenção aos edifícios já feitos e que a porta larga A. Que se acha já edificada se regularia perpendicular a suprior assim como B. que lhe fará simetria. Anno 1807. AHMP.

E uma última proposta de Barros Lima conservando o centro como se acha principiado começa a ter em conta a nova política urbana liberal que permite a cada proprietário decidir o desenho da sua habitação.

Veja-se um anúncio de 1839 da venda de uma capela (de Santo Ovídio?) no Annunciador Portuense.

QUEM quizer comprar huma Capella, a qual se acha profanada, e destelhada, sita no Campo da Regereneração, (vulgo de S.to Ovídio ) com bastante terrêno para edeficar huma morada de casas, ou para armazém, falle com o dono desta Imprensa o qual lhe dará os precizos esclarecimentos. [5]Annunciador Portuense, n.º30 Quinta Feira 28 de Novembro, Anno 1839.

ov17fig. 16 - Barros Lima, Nova forma do prospeto geral para o lado do Sul do Campo de S.to Ovidio, conservando o centro como se acha principiado. Approvada. Porto Paços do Con.ho 21 de Novembro de 1838. AHMP.

Da praça de Santo Ovídio à Praça da Restauração

Com a conclusão da construção do Quartel, por volta de 1805 ou 1806, a praça cujo nome era Praça ou Campo de Santo Ovídio é regularizada como praça de armas do Quartel, e servia para as paradas e demais exercícios militares e para diversos outros eventos e manifestações públicas.

Como se constata na Planta Redonda de George Balck (1781-1815), uma planta elaborada por razões militares durante a Guerra Peninsular e publicada em 1813.

ov18fig. 17 - O Quartel Militar e a Pr.ª de S.to Ovidio em 1813.Pormenor de Cidade do Porto / Dedicada ao Ill.mo Sr. Brigadeiro Gen. Sir Nicolao Trant / Commendador da ordem da Torre e Espada,Encarregado do Governo das Armas do Partido do Porto, pelo George Balck/ Assistente do Quartel Mestre General/ do Exercito Britanico.

A Praça cerca dos anos 20 do século XIX está cartografada no Plano da Cidade do Porto de José Francisco de Paiva desenhado entre 1818 e 1824.

ov19fig. 18 - José Francisco de Paiva, Pormenor do Plano da Cidade do Porto.

Nesta planta de José Francisco de Paiva a Praça de Santo Ovídio tem planeadas diversas vias que partiriam dos quatro cantos da praça. O prolongamento da rua da Boavista para poente e para nascente no canto oposto a futura rua Nova do Duque do Porto (hoje rua João das Regras).

A sul no remate da rua do Almada, para nascente, a rua Gonçalo Cristóvão. Estas duas últimas ruas correspondendo à urbanização da Quinta de Santo António do Bonjardim pertencente a Gonçalo Cristóvão que, por isso, dá o nome a uma das ruas. Estas ruas serão abertas a partir de 1839.

No prolongamento da rua de Gonçalo Cristóvão para poente e a partir do canto oposto uma via que não será realizada.

QUEM quizer comprar huma Capella, a qual se acha profanada, e destelhada, sita no Campo da Regereneração, (vulgo de S.to Ovídio ) com bastante terrêno para edeficar huma morada de casas, ou para armazém, falle com o dono desta Imprensa o qual lhe dará os precizos esclarecimentos. Annunciador Portuense n.º30 Quinta Feira 28 de Novembro Anno 1839

Foi nesta mesma praça que a 24 de Agosto de 1820 se ouviram gritos à constituição e às cortes, como refere Pinho Leal:

1820— (24 de agosto) — Tem logar no Porto a revolta que acclama a (futura) constituição, por isso chamada de 1820.

A guarnição militar da cidade constava dos — regimentos de artilheria n.º4, dos de infanteria n.os 6 e 18, da guarda real da policia do Porto (que eram tres companhias de infanteria e uma de cavallaria) e dos regimentos de milícias do Porto e da Maia.

Estes corpos reuniram-se no vasto Campo de Santo Ovídio (ao qual, desde 1834, por este facto, se deu o nome de Campo da Regeneração.) [6]

ov20fig. 19 – A Tropa ouvindo primeiro Missa na Praça da Regeneração em 24 d’Agosto de 1820. In Pedro Vitorino (1882-1944), Iconografia Histórica Portuense. Edição Maranus, rua dos Martires da Liberdade 174 a 178, Porto 1932.

Na planta de W. B. Clarke, de 1833, aparece mal assinalada a travessa de Germalde (como Grimalde). A Quinta do Bomjardim está ainda por urbanizar. Note-se a indicação da linha de água e a fonte na Travessa da Doida (depois rua de Liceiras e actual Rua Alferes Malheiro).

A Quinta de S. Ovídio aparece indicada como Casa de Pamplona o nome do então proprietário.

ov21fig. 20 – Pormenor de Oporto (Porto), planta de William Barnard Clarke (1807–1894).

Terminado o Cerco do Porto, e evocando o papel desempenhado no 24 de Agosto de 1820, a Câmara Municipal determina que a Praça (Campo) de S. Ovídio passe a denominar-se Praça (Campo) da Regeneração.

Na planta de 1839 de Costa Lima Júnior assim acontece. O Campo de St. Ovídio chama-se agora Campo da Regeneração.

A rua da Boavista está já prolongada para além da rua de Cedofeita, e está já aberta a rua dos Bragas.

Para nascente na Quinta do Bomjardim estão desenhadas como já abertas as ruas de Gonçalo Cristóvão, e Duque do Porto até à rua do Bomjardim. E no sentido sul-norte a rua de Camões, entre as ruas de Liceiras (hoje Alferes Malheiro) e a travessa da S.ª da Lapa.

ov22fig. 21 - Joaquim da Costa Lima Júnior (1806-1864), Pormenor da Planta topográfica da Cidade do Porto. 1839.

Em 1838 a Câmara Municipal do Porto decidiu abrir uma rua que iria, em linha recta, do então Campo da Regeneração à rua de Cedofeita, no enfiamento da rua Gonçalo Cristóvão, rua já traçada na planta de J. Francisco de Paiva.

Por isso o projecto foi cartografado na "Planta Topographica" mas nunca foi realizado devido à forte oposição lançada pelos proprietários dos terrenos a expropriar.

ov23fig. 22 – Pormenor da Planta topográfica da Cidade do Porto. A vermelho sublinhado o Projecto da nova rua a abrir.

De facto, em 16 de Janeiro de 1839, foi aprovada pela CMP uma planta com o traçado da rua e as expropriações necessária.

ov24fig. 23 – Descripção topographica dos terrenos que medeiaõ entre o Campo de S.to Ovidio e a rua de Cedofeita, atravez dos quaes deve passar a nova rua que se projecta rasgar de hum a outro sitio. Vê-se claramente n’este Plano, que para obviar a demoliçaõ de hua parte da Casa designada com a letra X, precisa a direcção desta Rua de soffrer uma pequena inflexaõ para o lado do Norte, afastando-se hum pouco da sua direcçaõ primitiva.

Na envolvente e no sentido dos ponteiros do relógio, estão assinaladas a Quinta do Exm.o Visconde de Beire, o Campo de S.to Ovidio, a Rua dos Bragas e a Rua de Cedofeita.

Ao centro a Rua projectada, que parte de Cedofeita demolindo parcialmente a Casa assinalada com X, nas Antigas propriedades servindo a Ant.a Fre.a, atravessa as terras pertencentes a José Rib.o Braga, uma pequena faixa do Quintal de Nestor Branco(?), alguns anexos da Quinta do Visconde de Beire e a propriedade e casa de Urbano J. da Costa.

Em 1839 a Câmara Municipal produz uma planta com a curiosa legenda de protesto contra um desconhecido proprietário Sr. Albano: Prometemos ao Público esta planta. Nella se patenteia a absoluta necessidade da Rua projectada; nella se mostrão os terrenos a expropriar; por ella se vê que, fazendo-se a obra, temos somente uma casa, a do Snr. Urbano, demolida. Julgue o Público as bravatas do Sr. Albano. O sr. Urbano que se refere é o proprietário da casa junto ao Campo de S.to Ovidio cartografada na planta anterior!

Nela está traçada a rua que ligaria a Praça da Regeneração à Rua de Cedofeita sublinhada a vermelho. Para melhor compreensão a planta foi reorientada no sentido norte-sul.

ov25fig. 24 - Planta com o traçado da rua projetada entre o Campo da Regeneração e a Rua de Cedofeita. 1839.

A Praça ao longo do século XIX pouco se alterou.

Se a intenção dos Almadas era edificar uma praça monumental segundo as regras neoclássicas da época, essa ideia não vingou.

Por um lado pelos acontecimentos das quatro primeiras décadas que não permitiram ao poder central e local investir na expansão da cidade.

A praça apenas foi sendo edificada do lado nascente e do lado sul com habitações burguesas mais ou menos ricas.

Ephigenia do Carvalhal no seu romance Clotilde coloca uma das suas personagens habitando com a família uma bonita casa no campo de Santo Ovidio, hoje da Regeneração.

Um crime conduz a outro. Bernardino de Mello, sua mulher e filho, viviam no Porto, e ocupavam uma bonita casa no campo de Santo Ovidio, hoje da Regeneração. A casa está ricamente mobilada; e dentro della tudo atesta a grande riqueza dos seus habitantes. Era por uma manhã de dezembro de 1847. [7]

Por outro lado, a partir dos meados do século, a localização da praça, fora dos grandes eixos de expansão da cidade, não permitiu que ela se consolidasse como um espaço público estrutural.

Se compararmos a planta de 1865 com a planta de 1892, constatamos que, apesar da expansão da cidade para norte e da edificação ao longo das vias e espaços públicos [8], por onde se estabeleceu a circulação dos transportes hipomóveis particulares e públicos (Omnibus e Americano), a Praça da Regeneração manteve sensivelmente a mesma estrutura, marcada pela presença da Quinta de Santo Ovídio (do Pamplona, do Visconde de Beire ou do/a Resende) e do Quartel de S.to Ovídio.

ov26fig. 25 – O Campo da Regeneração em 1865. Pormenor da Planta da Cidade do Porto por F. Perry Vidal.

ov27fig. 26 – O Campo da Regeneração em 1892. Pormenor da Carta Topographica da Cidade do Porto de Augusto Gerardo Telles Ferreira.

ov28ov28afig. 27 – O Campo da Regeneração. Quadículas 253 e 254 à escala 1:500 da Carta Topographica da Cidade do Porto de Augusto Gerardo Telles Ferreira. 1892.

4. A Casa e Quinta de S.to Ovídio (9)

ov29fig. 28 – Pormenor da Panorâmica de c. 1870. Com o n.º 9 a Casa e a Quinta de S.to Ovídio.

Nos anos 70 do século XIX a Quinta de Santo Ovídio, chamada então de Quinta do Visconde de Beire na planta de 1865, conservava-se praticamente inalterada, e assim se manterá até ao início do século XX, quando será urbanizada a partir da abertura da rua de Álvares Cabral.

ov30fig. 29 - A Quinta do Visconde de Beire em 1865. Pormenor da Planta da Cidade do Porto de Perry Vidal.

ov31fig. 30 - A Quinta do Pamplona 1892. Pormenor da Carta Topographica da Cidade do Porto de Augusto Gerardo Telles Ferreira.

Breve história da Quinta da Boavista

Sabe-se que a propriedade foi, em 1605, emprazada a Mar­garida de Carvalhal, com o nome de casal do Padrão e destinada essencialmente ao cultivo.

Pertenceu sessenta anos depois (1665) ao desembargador João Carneiro de Morais (c.1610-?), que nela mandou construir uma capela dedicada a S. Bento e Santo Ovídio, que deu nome quer à Quinta quer ao Campo.

Os herdeiros venderam a Quinta de S. Ovidio, na segunda metade do século XVIII, a Manuel de Figueiroa Pinto (1773-1775), Fidalgo da Casa de Sua Majestade, comendador de Santa Maria Madalena, na Ordem de Cristo e contador da Fazenda Real no Porto. A Quinta em 1726 passa a ser chamada de a Quinta dos Figueiroa. A Travessa da Figueiroa existe em memória deste fidalgo.

Por morte deste em 1775 a quinta passou então para o seu descendente e afilhado D. Manoel de Pamplona Carneiro Rangel Veloso Barreto Miranda de Figueiroa (1774-1849) 1º Visconde de Beire, que comandou o regimento de Infantaria n.º18 durante a Guerra Peninsular e Vereador na cidade do Porto. Foi este proprietário que mandou edificar o palacete e traçar e plantar os seus jardins. Nos finais do século XVIII, foi este Figueiroa que cedeu o terreno no limite norte da sua propriedade para a abertura da rua destinada a ligar o Campo de Santo Ovídio com a rua de Cedofeita (rua dos Jasmins, rua 25 de Julho e finalmente rua da Boavista), a que não é alheio o facto de desempenhar o cargo de Vereador. A Quinta era então conhecida como Quinta do Pamplona.

A sua filha D. Maria Balbina Pamplona Carneiro Rangel Veloso Barreto de Figueiroa (1819-1890), condessa de Rezende pelo casamento com D. António Benedito de Castro (1820-1865), 4º Conde de Rezende, e a filha destes, Maria Emília de Castro Eça de Queiroz (1857-1934), casou em 1886, na capela da quinta com o escritor José Maria Eça de Queiroz (1845-1900). A Quinta foi por isso também conhecida como Quinta dos Resende.

Na planta Re­donda de 1813, o conjunto da propriedade da Quinta aparece desenhada entre a Praça de Santo Ovídio e a Rua de Cedofeita, com o palacete, os jardins ao longo do eixo nascente-poente, e os diversos elementos arborizados.

ov32fig. 31 – A Quinta de Santo Ovídio em 1813. Pormenor da Planta Redonda, Cidade do Porto / Dedicada ao Ill.mo Sr. Brigadeiro Gen. Sir Nicolao Trant / Commendador da ordem da Torre e Espada,Encarregado do Governo das Armas do Partido do Porto, pelo George Balck/ Assistente do Quartel Mestre General/ do Exercito Britanico.

A fachada principal voltada para o Campo da Rege­neração, era constituído por um edifício de um só piso com dois corpos avançados e um corpo central com janelas de guilhotina.

O eixo principal dava acesso a uma porta encimada por um frontão curvo.

ov33fig. 32 - Joaquim Cardoso Villanova (1792-1850), Casa Pamplona (Entrada da quinta). Estampa n.º 31 do álbum Edifícios do Porto em 1833, Biblioteca Pública Municipal do Porto, 1987.

A fachada poente do palacete, também com dois corpos avançados, abria, por uma porta de acesso coroada por frontão interrompido com volutas, para um terraço com balaústres de onde se descia por uma escadaria que dava acesso ao jardim.

ov34fig. 33 - Aspecto do Jardim do Palácio dos Figueirôas, Quinta de St. Ovidio, óleo s/ tela 56,5 x 76,5 cm. Museu Nacional de Soares dos Reis.

O jardim fronteiro ao palacete organizava-se em canteiros desenhados por buxo anão, com vasos e arbustos podados em formas geométricas, que definiam percursos, em torno de um lago redondo com repuxo vertical.

Os muros que limitavam o jardim estavam cobertos de trepadeiras.

Tirando partido do declive do terreno que descia desde o Campo de S. Ovídio até à rua de Cedofeita, o amplo terraço proporcionava magníficas vistas que se prolongavam até ao mar.

A Alameda central tendo ao fundo um pavilhão com brasão, que dava acesso à Rua de Cedofeita e á igreja de Cedofeita.

Quer no jardim quer nos espaços arborizados estão representadas personagens com trajes do século XVIII, mostrando a utilização da quinta como um espaço de lazer ou de recreio.

ov35fig. 34 - Aspecto do Jardim do Palácio dos Figueirôas, Quinta de St. Ovidio, óleo s/ tela 56 x 76 cm. Museu Nacional de Soares dos Reis.

No século XIX a propriedade estava delimitada a nascente pelo Campo da Regeneração. A poente por muros e ca­sas da Rua de Cedofeita e Travessa do Figueiroa. A norte pelos quintais das casas da Rua da Boavista. E a Sul por propriedade situadas na Rua dos Bragas, como se constata nas plantas de 1824, 1839 e 1865.

ov36fig. 35 – A Quinta do Visconde de Beire c. de 1820. Pormenor do Plano da Cidade do Porto de José Francisco de Paiva.

ov37fig. 36 – A Quinta do Visconde de Beire em 1865. Pormenor da Planta da Cidade do Porto de F. Perry Vidal.

Pinho Leal escreve:

Palacio e quinta da srª condessa de Rezende — é a mais agradável vivenda do Porto. Está entre o campo de Santo Ovídio, a rua da Boa-Vista e a rua de Cedofeita. A entrada principal, é por um portão, coberto — ao O. do campo de Santo Ovidio — tendo aos lados, as cocheiras e cavallariças. O palácio, que é de construcção antiga, está pelo E. e O., entre jardins, sendo o do O., o mais vasto do Porto, porque é seguido de um formoso parque. Segue-se a grande quinta (a maior do interior da cidade) com agua que lhe vem por um antigo aqueducto. Esta bella e vasta propriedade, não foi construída pelos ascendentes dos condes de Rezende, nem pelos dos viscondes de Beire. Pertencia á nobilissima casa dos Figueirôas, cujas armas (cinco folhas de figueira) ainda se vêem no formoso — mas arruinado — pavilhão que dá entrada á quinta, pela rua de Cedofeita. Os viscondes de Beire obtiveram isto, por herança que lhes deixaram os Figueirôas. Ainda que o palácio esteja em um nível muito mais baixo do que o do campo de Santo Ovidio, a ponto de nem d'elle se avistar, é todavia uma residência sobremodo aprazível, não só pela vista do jardim, parque e campos, como pelas formosas vistas que tem para o S., S.E. e O., vendo-se por este ultimo lado, até uma vasta extensão do oceano atlântico. [9]

Nos meados do século XIX Cesário Augusto Pinto (1825-1896) desenha uma gravura com uma vista a partir da Ramada Alta em que se vê a Quinta de S. Ovídio do lado norte.

ov38fig. 37 - Cesário Augusto Pinto,Vista da cidade do Porto, tomada do mirante da casa do Ilustríssimo Senhor José Pedro de Barros Lima, na Ramada Alta. 1850.

Já no século XX, Firmino Pereira, no Porto d’outros tempos, descreve como os jardins eram abertos ao público.

Antes de 41, como no Porto não houvesse um espaço arborisado onde as famílias pudessem reunir-se, o visconde de Beire, depois conde de Rezende, franqueou 0s jardins anexos á sua quinta da Figueiroa (na rua de Cedofeita) n’um gesto de verdadeiro fidalgo e em harmonia com as tradições da velha e nobre casa que tam distintamente representava. D. Manoel de Pamplona Carneiro Rangel Veloso Barreto de Figueiroa abriu, familiarmente, aos domingos e dias santos, o portão de ferro da sua linda propriedade da Figueiroa. O palacete e a parte da quinta com entrada pelo campo de Santo Ovidio eram apenas franqueados uma vez por ano. A filha do ilustre titular, D. Maria Pamplona Carneiro Rangel Veloso Barreto de Figueiroa, casada com o conde de Rezende D. António Benedito de Castro, conservou a velha usança reunindo nos lindos jardins da quinta as mais distintas famílias portuenses. [10]

Finalmente uma fotografia não datada mas deverá ser dos finais do século XIX inícios do século XX, pouco antes da demolição do palacete. Vê-se a saída para o terraço poente, ligeiramente transformada com uma nova abertura sobre a porta central com uma pequena varanda.

ov39bfig. 38 - A entrada poente do Palacete. In Porto Desaparecido facebook, e pormenor da pintura da fig. 33.

5. Casa e Quinta das Aguas Férreas (AF)

ov40fig. 39 -  Pormenor da Panorâmica c.1870. Com AF a Casa e Quinta das Águas Férreas.

A Fonte das Águas Férreas

A origem do nome de Águas Férreas deve-se a uma fonte existente no local e cujas águas eram consideradas boas águas com virtudes medicinais. Assim o referem os autores contemporâneos da Panorâmica.

Como Francisco Gomes da Fonseca no Guia Histórico do Viajante no Porto esclarece a origem do nome e descreve a Fonte.

O nome de Aguas Férreas provêm de uma Fonte na rua da Boa-Vista. Fonte de agua mineral, própria para curativo de moléstias de estomago. Desce-se a esta fonte por uma escadaria de pedra, orlada de assentos e sombreada de copadas arvores. [11]

Ou ainda Pinho Leal.

Fonte das Aguas-férreas no sitio mesmo chamado Aguas-Ferreas, próximo da rua da

Boa-Vista.

Está a nascente ao fundo de um terreno ajardinado, murado, e fechado por um portão de ferro. Tem também algumas arvores, e assentos de pedra, para descanço dos doentes e dos visitantes. [12]

Também Sousa Reis

As boas águas que há n’esta rua, e tão uzadas pe­los habitantes da cidade em várias enfermidades, exitou o zelo da Câmara Municipal, e aproveitando as mandou fazer uma fonte de pedra, e juntou lhe a construção de huma alameda com assentos para descanso e recreio dos frequentadores destes sítios. Estas agoas deram o nome a esta rua. [13]

E Alberto Pimentel, no Guia do Viajante na Cidade do Porto, acrescenta romance a essa descrição da Fonte.

(…) ha fontes abastecidas por nascentes privativas, a mais celebre das quaes é de agoa mineral, própria para combater molestias d’estomago. Esta fonte brota na alameda a que ella dá o nome, das Agoas Ferreas, alameda onde ha bancos de pedra para descanço dos doentes e...dos namorados. Alameda da saude e do amor, este sitio é muito frequentado pelos que digerem mal e pelos que gostam de amar ao ar livre, á sombra d’uma arvore, honestamente, em conformidade com a cartilha e com o codigo penal: para casar. Elles ali se sentam, os namorados felizes, entregues às suas confidencias, em quanto o guarda da fonte de vez em quando os espreita, mais por curiosidade que por moralidade, da porta da sua casinha. [14]

A Casa e a Quinta das Água Ferreas

Pelos anos 70 do século XIX, data provável da fotografia panorâmica, a Casa e Quinta das Águas Férreas estava ocupada pelo cônsul de Inglaterra no Porto Oswald Crawfurd que segundo Pinho Leal a arrendou em 1869, e n'elle reside actualmente. [15]

Oswald John Frederick Crawfurd (1834–1909) é o autor, entre outros livros, de Travels in Portugal de 1875 [16] e do Portugal Old and New, de 1880 [17].

Nesta última publicação insere uma estampa com o título de Country House, que é uma vista do pátio da Quinta das Águas Férreas.

ov41fig. 40 – Estampa de Portugal old and new by Oswald Crawfurd, 1880. (pág. 145).

This house is always maintained in good residential condition, fully furnished, and with a small staff of servants in occupation the whole year round. There are corridors hung with passably good oil pictures; great china cupboards, crammed full of ware purchased seemingly at all periods within the last hundred years, chiefly the handsome but comparatively worthless Oriental ware of seventy or eighty years ago; and, curious to note, next in abundance to this are the wares of our own fabriques—Crown Derby in great quantity and richness, Wedgwood, Worcester, Leeds, and even Bow and Chelsea.

There is a handsome private chapel on the ground floor, dedicated to St. Anthony, large enough to hold the whole parish on the Saint's holiday, and here mass is said every Sunday and Saint's day throughout the year. In this chapel, as in almost every private chapel I ever saw in Spain or Portugal, is that curious arrangement by which the ladies of the house can join in the service without mingling with the crowd of worshippers on the floor. A grated window, like the Ladies' Gallery in the House of Lords, about half way up the wall, opens into one of the rooms of the house, and the ladies and children sitting there can open their windows and see and take part in, themselves unseen, all that goes on in the chapel. It is church-going made very easy. I do not know whether the practice is a remnant of old Moorish notions of women's seclusion, or comes merely from fineness and a liking to be exclusive. One may suppose it had its origin in the old notions, and is kept up from habit and from convenience.[18]

[Esta casa está mantida em boas condições de habitar, totalmente mobilada e com uma pequena equipa de empregados que dela se ocupam durante todo o ano. Há corredores onde estão penduradas quadros a óleo passivelmente de boa qualidade; grandes armários com peças de porcelana chinesa, cheios de objectos comprados aparentemente em todos os períodos nos últimos cem anos, principalmente os belos, mas comparativamente inúteis produtos orientais, de setenta ou oitenta anos atrás; e, depois é curioso admirar a abundância de produtos das nossas próprias fabricas - Crown Derby em grande quantidade e riqueza, Wedgwood, Worcester, Leeds e até mesmo Bow e Chelsea.

Há uma bela capela privada no piso térreo, dedicada a Santo António, suficientemente grande para albergar toda a paróquia no feriado do santo, onde é rezada missa todos os domingos e em cada dia santo ao longo do ano. Nesta capela, como em quase todas as capelas privadas que já vi na Espanha ou em Portugal, tem esse arranjo curioso pelo qual as senhoras da casa podem assistir ao serviço sem se misturarem com a multidão de fieis que ocupam a capela. Uma janela, como a da Galeria das Senhoras na Câmara dos Lordes, mais ou menos ao centro da parede, abre para uma das salas da casa, onde as damas e as crianças aí sentadas podem ver e participar. Eles não são vistos, mas vêm tudo o que acontece na capela. É muito fácil assistir à missa. Não sei se a prática é um remanescente de antigas tradições Mouriscas de isolamento feminino, ou se vem apenas da finura e do gosto por ser exclusivo.
Pode-se supor que teve a sua origem nas antigas tradições, e assim são mantidos os hábitos e as conveniências.
]

Breve história da Quinta das Água Férreas.

Sobre a história da Casa e Quinta das Águas Férreas, sabemos por João de Mello e Sousa da Cunha Souto Maior, 2º Visconde de Veiros (1793-1854) que publicou Necrologia de José de Souza e Mello, uma homenagem ao seu tio Joze de Souza e Mello, de 1839 de quem aliás foi o herdeiro da Quinta em 1816. Pelo casamento com D. Maria Rita Leite filha primogénita de Francisco de Paula Leite de Souza (1747-1833) Comandante da Armada, 1º Visconde de Veiros em 1822, herdando por isso o título.

Nessa publicação o autor começa por traçar uma elogiosa, e algo parcial, biografia de Joze de Souza e Mello (1745-1839), sublinhando a sua intervenção na cidade do Porto referindo os cargos que ocupou.

Assim o visconde de Veiros refere que o tio Joze de Souza e Mello foi Cavalleiro professo na Ordem de Christo, e Commendador da Commenda de Lourenço Marques na mesma Ordem : Fidalgo Cavalleiro da Caia Real.

Vereador prepetuo, e o Decano do Illm.º Senado da Camara, e como tal servio de Capitão Mor da Cidade e seu Destricto, no tempo da Guerra Peninsular. 1.° Administrador Geral do Correio, e Creador deste Lugar por conta da Real Fazenda. Proprietário do importante Officio de Thezoureiro e Recebedor do Consulado daquela Alfandega, e anexas. Vice-Provedor da Illm.ª Junta d' Administração da Companhia Geral d’agricultura das Vinhas do alto Douro. Inspector das Obras dos Edeficios dos Paços do Conselho; e da Real Academia da Marinha e Commercio. Administrador do Real Colégio de Nossa Senhora da Graça e Órfãos. Provedor da Santa Cata da Misericórdia.

Deputado da Junta do Subsidio Militar; Membro da das Obras Publicas; e Encarregado dos arranjos para o utilíssimo estabelecimento da Illuminação publica, que promoveo assim como outros muitos de geral interesse: tudo na referida Cidade do Porto. E no Algarve Edeficador da undécima parte de Villa Real de St.º Antonio, na Fundação desta Villa. [19]

Joze de Souza e Mello durante muitos annos, e quasi sem intervalo desde o de 1803, foi o Decano dos Vereadores da Camara do Porto, procurando sempre assiduamente fazer manter o decoro daquelle Município.[20]

E na mesma página o Visconde de Veiros descreve o cortejo fúnebre pela ocasião do falecimento de D. João VI, em 1816, em que ia o Vereador mais velho Joze de Souza e Mello Fidalgo da C. R. e Commendador da Ordem de Christo, montado em hum Cavallo acobertado de pano preto, que rojava em distancia pelo chão, com 2 Criados de libré à Estribeira, empunhando o mesmo Vereador na mão direita a Bandeira da Cidade que era preta n’esta occasião e dizendo Chorai Nobres, chorai Povo &c. e a este brado subião a diferentes tablados levantados nos sítios mais públicos da mesma Cidade do Porto, por seu turno, os outros Vereadores que sobre o Estrado mostravão ao Povo o Escudo batendo com elle no pontalete, deixando-o cahir quebrado.

A Quinta das Águas Férreas que João de Mello e Sousa da Cunha Souto Maior então herdou de seu tio, é referida nesse opúsculo, sendo seu proprietário, em 1741, Antonio da Costa Cardozo, Sargento–Mor do Concelho de Gondomar por Patente Regia de 30 de Maio de 1741, Snr. da dita Quinta e Prazos, e de sua mulher D. Marianna Thereza Pereira.

Joze de Souza e Mello ao casar, em 1760, com a filha de Antonio da Costa Cardoso, D. Rita Miquelina Victoria da Costa Cardoso, Senhora da Quinta e Prazos de St.° Antonio das Agoas férreas no Porto torna-se o proprietário da Quinta. [21]

Na planta Redonda de 1813 a quinta figura no limite superior como Quinta do Snr. Joze de Souza Mello

ov42fig. 41 – A Quinta do Snr. Joze de Souza Mello em 1813. Pormenor da Planta Redonda, Cidade do Porto / Dedicada ao Ill.mo Sr. Brigadeiro Gen. Sir Nicolao Trant / Commendador da ordem da Torre e Espada,Encarregado do Governo das Armas do Partido do Porto, pelo George Balck/ Assistente do Quartel Mestre General/ do Exercito Britanico.

Como relata o Visconde de Veiros, em 1809, aqui instalou o general Nicholas Trant (1799-1839) o Quartel General do Governador de Armas do Porto

Foi nesta occasião nomeado Governador das Armas do Porto, e seu partido Sir Nicolao Trant, e tratando a Camara de lhe fazer appozentadoria, sôube que elle dezejava ir para a Quinta de J. de S. e Mello, o qual lha franquiou, e elle a disfruttou por vários annos, fazendo nella o seu Quartel General, e servindo-se da mobília, e recheio da caza; passando o dito seu dono a habitar a do Pateo do Correio aos Clérigos. [22]

E em anexo documenta essa cedência com a apresentação de um ofício dirigido ao Illm.º Senado: Diz José de Souza e Mello Fidalgo da Caza de Sua Magestade e Commendador de Lourenço Marques na Ordem de Christo, desta Cidade: que para fazer certo aonde lhe convier preciza mostrar autenticamente em como no anno de 1809 na occazião em que desta Cidade forão expulsos os Francezes, e veio para Governador della o General Sir Nicolau Trant, o qual exigindo huma Caza para seu Quartel General, e não encontrando a lll.ma Camara nenhuma outra desponível com a grandeza e commodidades precizas para tal fim, lhe destinara a sua Caza e Quinta das Agoas-ferreas na Freguezia de Cedofeita, que o Supplicante immediatamente promptificou com toda a sua mobília de que o mesmo General se servio durante cinco annos que nella rezidio. [23]

E a Casa do Visconde de Veiros constitui a Estampa 35 do álbum de José Cardoso Villanova.

ov43fig. 42 - Joaquim Cardoso Villanova (1792-1850), Casa do Visconde de Veiros. Estampa 35 do Álbum Edifícios do Porto em 1833, Biblioteca Pública Municipal do Porto, 1987.

Em 1839, o seu sobrinho e protegido João de Mello e Sousa da Cunha Souto Maior, Visconde de Veiros (1793-1854), na época da Panorâmica a habitar a casa das Águas Férreas, na referida Necrologia de Joze de Souza e Mello, que então publicou, descreve a Casa e a Quinta.

Nessa publicação insere duas estampas: uma vista da Casa e uma planta da Quinta

Sobre a vista da Casa escreve o Visconde de Veiros:

A estampa que da-mos da vista da Caza das Agoas-ferreas não foi tirada donde appresenta a sua melhor prospectiva, pois que a fizemos extrahir d'hum Painel cm que o fim principal foi reprezentar a escada, e a figura de J. de S. e Mello, por motivo d'hua grande queda que deu tendo mais de 80 annos, em que n'hua tarde d'inverno indo passiar escorregou nos 1.º s degraus da dita escada, e foi de rojo athe' aos últimos, sem lh’acontecer damno algum, o que atribuio á protecção de N. Sr.a da Conceição da Rocha sua advogada, cujo auxilio disia haver invocado naquelle conflicto, e em signal do seu reconhecimento mandou fazer o referido Painel… [24]

ov44fig. 43 – A. S. Dias (?), Vista do Palacio dos S.as e Mellos, situada na rua chamada do Mello, junto as Aguas-Ferreas na Freg.a de Cedofeita do Porto tirada da meia laranja junto a Escada do Jardim principal para a Quinta de Baixo.

E sobre a outra estampa com a planta da Quinta, escreve:

A magnifica Quinta de St0 Antonio da Boa vista, chamada das Agoas Férreas, por ter huma fonte desta agoa junto aos seus muros, pertence aos Souzas e Mellos, e principia em hum sitio alto fronteiro à Igreja da Lapa, em cujo cume tem hum mirante donde se descobre a Cidade, Foz do Douro, e grande extenção de Mar; corta esta parte da Quinta a rua chamada do Mello onde está o Palacio e Capella de St. ° Antonio; tem bonitos jardins, e hortas ajardinadas, e hum amphiteatro com Estatuas, e bella escadaria por onde se desce para huma planície, que se dilata até á estrada de Cedofeita, aonde ha huma meia laranja com dous mirantes, que se communicão por huma varanda de pedra, com hum gradão de ferro por baixo: tem huma excellente cascata, e muitos tanques e chafarizes com grande abundância d'agoa; Bosques, Pomares e diversidade de ruas com paredes formadas de Limoeiros, Aveleiras, e outras arvores floridas, que a tornão sumamente recreativa, sendo por isso muito frequentada. [25]

ov45fig. 44 - Planta das Quintas dos Mello de Santo António das Agoas Ferreas no Porto, Lith. de J. C. Lemos e A. S. Dias. Para melhor compreensão a planta foi reorientada no sentido norte-sul.

Na planta que mostramos no capítulo anterior, de 1839, está cartografada a Fonte como Agoas Ferreas e a Quinta assinalada como Souza Mello, que beneficia das águas que vem do manancial de Arca d’Água referenciado como Nascente da agoa.

ov47fig. 45 - J. Costa Lima Júnior, Plano Topographico, que comprhende na sua maior extensaõ todas os terrenos que medeiaõ entre os sítios das Agoas férreas, Carvalhido, Lugar do Regado, Estrada de Braga, Sério, Rua da Rainha, e Igreja de Nossa Senhora da Lapa, 1839. AHMP.

ov48fig. 46 – A Quinta assinalada como Souza Mello e a fonte de Agoas Ferreas em 1839. Pormenor de Plano Topographico, que comprhende na sua maior extensaõ todas os terrenos que medeiaõ entre os sítios das Agoas férreas, Carvalhido, Lugar do Regado, Estrada de Braga, Sério, Rua da Rainha, e Igreja de Nossa Senhora da Lapa de J. Costa Lima Júnior. AHMP.

O Visconde de Veiros acrescenta na nota de rodapé da página 27 do seu opúsculo, refere a existência na Casa das Águas Férreas de um quadro de Domingos Sequeira.

NB. Na Capella desta Quinta existe hum bello Painel de N. Senhora da Piedade feito a oleo pelo insigne Artista Domingos Antonio de Sequeira. [26]

E complementa esta informação no Supplemento à Necrologia referindo que tratando-se da Quinta das Agoas-ferreas, se falla d'hum Painel de Nossa Senhora da Piedade feito por D. A. de Sequeira, que se dá como existente na Capella de St.º Antonio da mesma Quinta; temos a diser que fomos ultimamente informados que o dito Painel está no Mozeu publico, ou Galeria de colecção de Pinturas em S. Lazaro, donde esperamos seja restituído a seu Dono, como he justo, logo que prove que he seu, o que lhe será facil. [27]

A única imagem de Nossa Senhora das Dores (que não da Piedade) que conheço de Domingos Sequeira é esta que pertence a uma colecção particular.

ov49fig. 47 - Domingos Sequeira (1768-1837), Nossa Senhora das Dores s/d. Col. Particular.

O Asilo da Mendicidade

Após Joze de Souza e Mello em 1832 ter saído do Porto para ir primeiro para a Régua e depois para Braga onde veio a falecer, a Quinta das Águas Férreas foi utilizada como paiol até 1836 data em que aí se instala o Asylo da Mendicidade do Porto até 1845

E no n.º 24 da Revista Popular de 12 de Agosto de 1848 surge um artigo sobre o Asylo da Mendicidade no Porto.

No meio da imoralidade, que vae corroendo e devirando as entranhas desta sociedade velha e corrupta, é consolador, é pathetico, é grande e bello ver que o desamparado, e o infeliz, e o ancião e o enfermo, ainda acham em nossa terra algum amparo, alguma protecção e algum arrimo. A presentamos para exemplo o Hospital de S. José, o Asylo de Mendicidade, a Casa Pia, e muitos outros estabelecimentos de egual utilidade, quasi que só sustentados pela caridade publica. O Porto ainda há dois anos (1846) não possuíam Asylo de Mendicidade, que todavia fôra authorisado e decretado em 1838. A actividade e zelo da comissão municipal daquele anno, deveu a segunda capital do reino o seu primeiro estabelecimento deste género, montado segundo as exigências da economia e da humanidade.

A estampa, que damos neste número, representa o edifício em que se acha estabelecido o mesmo Asylo, e que pertence ao ex. visconde de Veiros. É fábrica de largas dimensões, e pelo local e condição de salubridade, perfeitamente adaptada ao destino que se lhe deu. [28]

ov50fig. 48 - Asylo de Mendicidade no Porto na Revista Popular, n.º 24.

Entre 1845 e 1855, a Quinta foi reocupada pelo Visconde de Viveiros João de Melo e Sousa da Cunha Souto-Maior e pela morte deste em 1854, passa a ser seu proprietário o seu filho José Leite de Sousa Mello da Cunha Souto-Maior 3º Visconde de Veiros.

No Tripeiro com o título de As consequências de um dia de chu­va é relatada uma festa que se realizou na Quinta das Águas Férreas.

Em 1852, em honra da visita ao Porto da Rainha D. Maria II e de el-rei D. Fernando, a alta sociedade da cidade decide organizar uma festa elegante e original ao ar livre, sendo escolhido para tal efeito a Quinta das Águas Férreas, considerada na altura uma das mais belas do Porto. De modo a preparar tudo para a festa, terraplanou-se os terrenos e cobriu-se de saibro vermelho um campo para nele se improvisar uma esplanada. Foram contratados carpinteiros para construir barracas para os fornos e para as cozinhas ao longo dos muros de Cedofeita. Levan­taram-se vários tablados e construiu-se um imenso pavilhão quadrado, coberto com um toldo, para dançar e proteger do sol, sendo as mesas para o almoço colocadas debaixo das laranjeiras. Infelizmente a festa não terminou nas melhores condições, devido à intensa chuva que nes­se dia se fez sentir. [29]

Mas com a epidemia de cólera, entre 1855 e 1857, a propriedade foi utilizada como Hospital de coléricos.

Francisco Gomes da Fonseca no seu Guia assinala a casa como Do Visconde de Veiros às Aguas Ferreas onde estiveram o Asylo Portuense de Mendicidade e o hospital dos cholericos em 1855. [30]

E Alberto Pimentel no Guia do Viajante no Porto: Palacete do visconde de Beire, às Aguas Ferreas. Aqui estiveram o Asylo de Mendicidade, antes de mudar-se para as Fontainhas, e o hospital dos colericos durante a epidemia de 1855. [31]

Pinho Leal também refere que a casa serviu para albergar o Asylo da Mendicidade embora se engane na data da fundação.

A primeira casa que serviu para n'ella se estabelecer o asylo da mendicidade, do Porto, foi a de Santo Antonio da Boa-Vista, junto às Aguas-Férreas (da qual tratarei em outro paragrapho). Foi fundado em 31 de julho de 1846, e ao barão da Nova Cintra, seu sollícito e dignissimo provedor, deve grande parle dos seus melhoramentos. [32]

Em 1857 ter-se-á instalado na Casa das Águas Férreas o Colégio de Nossa Senhora da Guia.

Entre 1861 e 1869, a Quinta é ocupada pelo Hospital Militar até à construção do seu novo edifício na Avenida da Boavista.

Como inicialmente se relatou em 1869 a quinta foi arrendada por Oswald Crawfurd, cônsul de Inglaterra no Porto.

Pinho Leal no Portugal Antigo e Moderno resume todo este historial da Quinta das Águas Férreas, até aos anos 70 do século XIX.

Palacio e quinta de Santo Antonio da Bôa-Vista, ou das Aguas-Férreas — do sr. José Leite de Sousa Mello da Cunha Sotto-Maior, filho do fallecido visconde de Veiros. A sr.ª D. Maria Rita Leite de Sousa Freire Salema de Saldanha e Noronha foi feita viscondessa de Veiros, em 8 de agosto de 1810. O sr. João de Mello e Sousa da Cunha Sotto-Maior foi feito visconde do mesmo título, em 7 de dezembro de 1842. (Vide Veiros.) E' uma aprazível vivenda, próximo às Aguas-Férreas, e à rua da Boa-Vista. Pertence a esta familia, desde 1760, sendo seu primeiro dono, José de Sousa Mello. Em 1809, foi quartel general do governador das armas do Porto, o general inglez, Nicolau Trant. Quando Trant sahiu do Porto, tornou para este palácio José de Sousa Mello, e n'elle residiu até julho de 1832, em que sahiu da cidade, e foi para a sua casa da Régua. Os liberaes tomaram conta da propriedade, fazendo do edificio, paiol da pólvora. Mudado este, para o palácio da quinta do Bispo (contigua à quinta da China, que lhe fica a E., e ao antigo seminário, que lhe fica a 0.) se estabeleceu no palácio das Aguas- Férreas o asylo da mendicidade, até 1845, em cujo anno tomou conta da propriedade e a veio habitar o visconde de Veiros. Em 1855, se estabeleceu aqui o hospital dos atacados do cholera-morbus. Em 1857, estabeleceu- se n'este palácio, o collegio de Nossa Senhora da Guia. Desde 1861 até 1869, esteve aqui o hospital militar, transferido de S. João Novo; até que se mudou para o novo hospital militar, de D. Pedro V, que fica a uns 400 metros a 0., na rua da Boa-Vista.

Em 1869, o arrendou o sr. Oswal Crawford, cônsul da Inglaterra, no Porto, e n'elle reside actualmente. [33]


[1] Francisco Ferreira Barbosa, Elucidário do Viajante no Porto, Imprensa da Universidade, Coimbra 1864. (pág.75).

[2] Francisco Gomes da Fonseca, Guia Histórico do Viajante no Porto e Arrabaldes. Na Livraria e Typographia de F. G. da Fonseca, Editor, 72, Rua do Bomjardim, Porto 1864. (pág. 79).

[3] Pinho Leal (186-1884), Portugal Antigo e Moderno… Livraria Editora de Mattos Moreira & Companhia, Praça de D. Pedro 68, Lisboa 1873 e 1890. (VII Volume 1880, pág. 435).

[4] Aviso Régio de 20 de Setembro de 1789. Arquivo Histórico Municipal do Porto, Obras Públicas in Joaquim Jaime B. Ferreira Alves O Porto na Época dos Almadas, Vol. I Porto 1989. (pág. 264).

[5] Annunciador Portuense, n.º30, Quinta Feira 28 de Novembro, Anno 1839.

[6] Pinho Leal (186-1884), Portugal Antigo e Moderno… Livraria Editora de Mattos Moreira & Companhia, Praça de D. Pedro 68, Lisboa 1873 e 1890. (VII Volume 1880, pág. 320).

[7] Ephigenia do Carvalhal (Ifigénia do Carvalhal de Sousa Teles Pimentel 1839 – 1932) Clotilde Romance. Tipografia Pereira da Silva. Porto 1869. (Cap. XX, pág. 169).

[8] Em 1856 foi edificada a chamada Casa das Águias, na esquina da rua Gonçalo Cristóvão com a Praça da Regeneração (República). Aí esteve instalado o Real Colégio de Santa Emília para educação de meminas, a Cooperativa O Lar Familiar e actualmente a Delegação Norte da Ordem dos Advogados.

[9] Pinho Leal (186-1884), Portugal Antigo e Moderno… Livraria Editora de Mattos Moreira & Companhia, Praça de D. Pedro 68, Lisboa 1873 e 1890. (VII Volume 1880, pág. 499 e 500).

[10] Firmino Pereira O Porto de outros Tempos, Livraria Chardron, de Lelo & Irmão. Rua das Carmelitas, 144. Porto 1913. (pág.89).

[11] Francisco Gomes da Fonseca, Guia Histórico do Viajante no Porto e Arrabaldes. Na Livraria e Typographia de F. G. da Fonseca, Editor, 72, Rua do Bomjardim, Porto 1864. (pág.84).

[12] Pinho Leal (186-1884), Portugal Antigo e Moderno, Livraria Editora de Mattos Moreira & Companhia, Praça de D. Pedro 68, Lisboa 1873 e 1890. (VII Volume 1880, pág.487).

[13] Henrique Duarte e Sousa Reis (1810-1876) e Marina de Morais Freitas de Matos, Apontamentos para a verdadeira história antiga e moderna de cidade do Porto, Vol. 4, Manuscritos inéditos. Biblioteca Pública Municipal do Porto 1999.

[14] Alberto Pimentel Guia do Viajante na Cidade do Porto e seus Arrabaldes, Livraria Central de J. E. da Costa Mesquita Editor, Rua de D. Pedro 87, Porto 1877. (pág.145).

[15] Pinho Leal (186-1884), Portugal Antigo e Moderno… Livraria Editora de Mattos Moreira & Companhia, Praça de D. Pedro 68, Lisboa 1873 e 1890. (VII Volume 1880, pág. 501).

[16] Oswald Crawfurd (John Latouche) Travels in Portugal By John Latouche. With Illustration and Map. 1875. 3ª ed. Ward, Lock, & Co., Warwick House, Dorset Buildings, Salisbury Square, E.C. London 1878.

[17] Oswald Crawfurd (1834–1909), Portugal old and new by Oswald Crawfurd, Her Majesty’s Consul at Oporto, author of Latouche’s travels in Portugal with Maps and Illustrations. C. Kegan Paul & Co., 1 Paternoster Square, London 1880.

[18] Oswald Crawfurd (1834–1909), Portugal old and new by Oswald Crawfurd, Her Majesty’s Consul at Oporto, author of Latouche’s travels in Portugal with Maps and Illustrations. C. Kegan Paul & Co., 1 Paternoster Square, London 1880. (pág. 124 e 125)

[19] João de Mello e Sousa da Cunha Souto Maior, Visconde de Veiros (1793-1854) Necrologia de José de Souza e Mello, Na Typographia da Academia das Bellas Artes, Rua de S. Joze, nº 8, Lisboa 1839. (pág. rosto).

[20] João de Mello e Sousa da Cunha Souto Maior, Visconde de Veiros (1793-1854) Necrologia de José de Souza e Mello, Na Typographia da Academia das Bellas Artes, Rua de S. Joze, nº 8, Lisboa 1839. (pág.10).

[21] João de Mello e Sousa da Cunha Souto Maior, Visconde de Veiros (1793-1854) Necrologia de José de Souza e Mello, Na Typographia da Academia das Bellas Artes, Rua de S. Joze, nº 8, Lisboa 1839. (pág.22).

[22] João de Mello e Sousa da Cunha Souto Maior, Visconde de Veiros (1793-1854) Necrologia de José de Souza e Mello, Na Typographia da Academia das Bellas Artes, Rua de S. Joze, nº 8, Lisboa 1839. (pág. 17).

[23] João de Mello e Sousa da Cunha Souto Maior, Visconde de Veiros (1793-1854) Necrologia de José de Souza e Mello, Na Typographia da Academia das Bellas Artes, Rua de S. Joze, nº 8, Lisboa 1839. (Pessas Justificativas, Documento n.º9, pág. XIV).

[24] João de Mello e Sousa da Cunha Souto Maior, Visconde de Veiros (1793-1854) Necrologia de José de Souza e Mello, Na Typographia da Academia das Bellas Artes, Rua de S. Joze, nº 8, Lisboa 1839. (pág. 14).

[25] João de Mello e Sousa da Cunha Souto Maior, Visconde de Veiros (1793-1854) Necrologia de José de Souza e Mello, Na Typographia da Academia das Bellas Artes, Rua de S. Joze, nº 8, Lisboa 1839. (pág. 17).

[26] João de Mello e Sousa da Cunha Souto Maior, Visconde de Veiros (1793-1854) Necrologia de José de Souza e Mello, Na Typographia da Academia das Bellas Artes, Rua de S. Joze, nº 8, Lisboa 1839. (Nota de rodapé da pág. 17).

[27] João de Mello e Sousa da Cunha Souto Maior, Visconde de Veiros (1793-1854) Necrologia de José de Souza e Mello, Na Typographia da Academia das Bellas Artes, Rua de S. Joze, nº 8, Lisboa 1839. Supplemento à Necrologia, (pág. 14).

[28] Revista Popular n.º 24 de 12 de Agosto de 1848. (pág. 186).

[29] O Tripeiro, Série 5, Ano 9, nº12.

[30] Francisco Gomes da Fonseca, Guia Histórico do Viajante no Porto e Arrabaldes. Na Livraria e Typographia de F. G. da Fonseca, Editor, 72, Rua do Bomjardim, Porto 1864. (pág. 174).

[31] Alberto Pimentel Guia do Viajante na Cidade do Porto e seus Arrabaldes, Livraria Central de J. E. da Costa Mesquita Editor, Rua de D. Pedro 87, Porto 1877. (pág.141).

[32] Pinho Leal (186-1884), Portugal Antigo e Moderno, Livraria Editora de Mattos Moreira & Companhia, Praça de D. Pedro 68, Lisboa 1873 e 1890. (VII Volume 1880, pág.400).

[33] Pinho Leal (186-1884), Portugal Antigo e Moderno… Livraria Editora de Mattos Moreira & Companhia, Praça de D. Pedro 68, Lisboa 1873 e 1890. (VII Volume 1880, pág. 501).


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